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Caio Blat e Maria Ribeiro apresentaram o filme no Cine Fest Petrobras Brasil-NY

16/06/2010

Na última sexta-feira, dia 11, foi encerrada a mostra competitiva do do 8º Cine Fest Petrobras Brasil – NY. O festival, que levou 14 longa metragens  (2009/2010) brasileiros para o coração de Nova York, atraiu muito a atenção do público americano, que prestigiou muitíssimo o evento, garantindo várias noites de salas lotadas. O festival já é considerado uma das atrações da programação de verão da cidade.

Na última noite da mostra, Caio Blat e Maria Ribeiro apresentaram o nosso “Histórias de Amor duram Apenas 90 minutos” junto com Paulo Halm.

Além de “Histórias de Amor”, foram exibidos:

- “O bem amado”, de Guel Arraes
- “Cabeça à prêmio”, de Marco Ricca
- “Tempos de paz”, de Daniel Filho
- “Rainhas”, de Fernanda Tornaghi e Ricardo Bruno
- “No meio do rio entre as árvores”, de Jorge Bodanzky
- “Insolação”, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas
- “Os normais 2″, de José Alvarenga Jr.
- “Elvis e Madona”, de Marcelo Laffite
- “Onde a coruja dorme”, de Márcia Derraik e Simplício Neto
- “Mamonas para sempre – o doc”, de Cláudio Kahns
- “Olhos azuis”, de José Joffily
- “Tamboro”, de Sergio Bernardes
- “Rita Cadillac – a lady do povo”, de Toni Venturi

LES HISTOIRES d’AMOUR NE DURENT QUE 90 MINUTES

23/04/2010

Em maio começa a 12ª Festival de Cinema Brasileiro de Paris e o filme Histórias de amor duram apenas 90 minutos, produzido por Heloísa Rezende, cujo roteiro e direção são de Paulo Halm, mais uma vez prova a sua qualidade, selecionado para ser exibido na semana de longas de ficção. “Histórias de amor…” vai levar um pedacinho da irresistível cidade maravilhosa aos parisienses, e de carona, leva também uma porção muito especial da vizinha Argentina, em todo o charme da “caliente” Carol, interpretada em toda boa forma e talento pela atriz argentina, Luz Cipriota.

O Festival este ano homenageará Chico Buarque, exibindo também outros cinco filmes brasileiros que de alguma maneira foram inspirados no trabalho de Chico. Mais detalhes da mostra podem ser conferidos no site do evento.

Os longas brasileiros que entram na competição junto com “Histórias de amor…” serão: “Bollywood Dream” (Beatriz Seigner), “Elvis e Madona” (Marcelo Laffitte), “Olhos Azuis” (José Joffily), “Salve Geral” (Sérgio Rezende), “Sonhos Roubados” (Sandra Werneck) e “Viajo porque preciso, volto porque te amo” (Marcelo Gomes e Karim Aïnouz).

O nosso diretor participa do Festival triplamente, porque também têm participação de Paulo Halm no roteiro os filmes “Sonhos Roubados” (estreia hoje no Rio!) e “Olhos Azuis”(Estreia nacional 28 de maio).

Vale a pena ver (e ver de novo!): Histórias de amor duram apenas 90 minutos

01/04/2010

Puxa! Salve os motores de pesquisa! Vejam que texto jóia publicou a Renata Corrêa ontem em seu blog Vale ou Não Vale? – Quando a alma não é pequena. Só um observação antes de deixá-los com o texto da Renata: ainda ontem falávamos aqui no blog do quão curioso é essa coisa da múltipla composição da história e dos personagens, essas releituras tão plurais. Que bom encontrar mais esta colaboração da Renata. Valeu pela indicação, Renata!  ;-)

Vale a pena ver: Histórias de amor duram apenas 90 minutos

O cinema brasileiro  – e aqui não falo só dos realizadores, falo do público e também da crítica, esse tripé de desejos e gostos insondáveis -  vive uma terrível síndrome de cachorro vira-lata, incensando muitos filmes abaixo da média por supostas qualidades técnicas e deixando passar em branco grandes e pequenos filmes que aparecem por aí, de cinematografia sólida e bem construída.

Será esse o caso de Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, filme do diretor de longas estreante e roteirista mais que experiente Paulo Halm? Espero que não. O filme é comovente e divertido, em doses equilibradas e cheio de curvas dramáticas que surpreendem o cara que está sentadinho na poltrona do cinema.

Zeca, um jovem supostamente talentoso interpretado por Caio Blat narra a sua vida com um certo distanciamento, como se ele próprio e seus problemas fossem matéria ficcional. Mas isso tem uma explicação: a beira dos 30, Zeca está empacado na página vinte do seu romance de estréia e não escreve sequer uma linha. Representando a famosa geração y, que não eclode, implode ou explode, o rapaz vai ficcionalizando sua vida, fantasiando um possível caso homoerótico da sua madura namorada com uma aluna argentina.

O que movimenta a vida de Zeca não é o que acontece e sim o que ele imagina acontecer, e na sua incapacidade de produzir ficção de verdade ele vai desenrolando a sua história como um mega narrador às vezes histérico, às vezes deprimido, o personagem compara suas dúvidas existenciais com autores e chega a comparar Júlia, sua mulher, com um personagem do cinema francês. Ao fazer isso o dublê de escritor escreve, mas escreve a vida como deveria ser, e não como ela é de fato.  Ele é é um narrador que não faz a menor idéia de sua condição real, do que é palpável na sua existência: sua relação com o pai, com a arte e com sua mulher.

O romance que Zeca  inventa e que movimenta parte da trama trás a parte bem humorada do filme. A participação de Hugo Carvana não é apenas afetiva: é um dado da influência no filme desse humor tipicamente carioca e debochado que tantalizou cinemas nas décadas passadas, como “a virgem camuflada” e “se segura malandro”, do prório Carvana. O Romance que dura apenas 90 Minutos não é o de Zeca com sua mulher ou de Zeca com sua paixão indefinível pela argentina “acariocada” Luz. É a escritura que ele compõe ao se relacionar de forma transversal com os acontecimentos, sem encará-los de frente. Um livro sem páginas que poderia se chamar:  A vida de Zeca, segundo Zeca e sem Zeca.

Passeando entre a nouvelle vague do personagem caminhante, e pela comédia erótica de tradição italiana tipicamente brasileira, Paulo Halm faz um filme de fôlego, que não se arvora de pretensa seriedade para discutir as agruras da geração dos jovens adultos nascidos na década de 80, mas ainda sim, com algum escracho calculado (como na impagável cena do “brinquedinho”) é profundo e lança questões importantes, diluídas entre a compaixão e o ridículo do protagonista. Veredicto: vale. :)

É curioso

31/03/2010

Um filme é curioso. Do momento da criação, até o grande momento da estreia, muita coisa se transforma. Imaginem, conviver com os personagens e com a história por diversos meses, descobrindo sempre novas faces das mesmas personas. Intuitivamente começamos a imaginar a continuação da vida daquele personagem ou pensar o que poderia ter sido diferente, talvez pensando num passado que efetivamente nunca existiu. Nos identificamos, nos comparamos, nos alimentamos daquele outro no roteiro e no vídeo até um certo momento em que a arte começa a se confundir com a vida real. Não uma confusão a rigor, mas uma mistura saudável, quase natural, que faz o trabalho, no sentido de criação (a atividade em si, toda função necessária para realizar o projeto) ser mesmo prazeroso.

Algumas pessoas podem considerar uma impossibilidade “trabalhar com arte”, talvez porque pensam que a arte suponha uma sorte maior de subjetividade que outros trabalhos ou que de fato não seja um trabalho, mas outro tipo de criação. Bem, aqui há muito o que se discutir!  Por outro lado, é sabido que muitos confeiteiros, muitas costureiras, muitos professores, muitos trabalhadores em geral, fazem arte em seus ofícios, sem que isto seja, necessariamente, óbvio. Cabe a cada um formar a sua própria opinião sobre o que é arte e percebê-la.

Mas o que é curioso e o que queremos falar aqui, é esse espaço de relacionamento com a obra que o cinema permite, o que certamente ocorre em muitas outras áreas, mas aqui falamos de cinema, especificamente deste filme: Histórias de amor duram apenas 90 minutos. E que pena que duram tão pouco! Parece ontem que este blog começou com a singela pergunta “Quanto tempo dura uma história de amor?” e num piscar de olhos chegamos às tão esperadas semanas de exibição, não sem antes passar pelas delícias da pré-estreia, receber o calor do público, o carinho dos seguidores no Twitter, os infindáveis comentários dos blogueiros apaixonados por cinema…

O fato é que daqui e dali, cada um dava o seu pitaco, o que achou, porque viu desse jeito, porque gostou, porque não gostou, como interpretou tal cena… enfim, no meio do caminho foram aparecendo diversas releituras do roteiro, impressões diferentes do mesmo filme e personagens que mais ou menos recriaram sinopses. O que é fantástico et voilà! Viva a pluralidade! O potencial de tocar cada um de uma maneira diferente que a arte tem. Os autores das resenhas e das críticas que foram aparecendo se tornaram, em certa medida, uma espécie de co-autores da biografia das personagens e fizeram associações inusitadas, que provavelmente nem tinham passado pela cabeça do diretor, imerso que estava na preparação deste longa-metragem.

Tudo isso para nós é um grande presente! Só temos a agradecer a todos aqueles que foram e vão aos cinemas e depois voltam, trazendo para nós as suas considerações.

Curioso mesmo é depois de tanto tempo, os próprios “fabricantes” do “Histórias de amor…”  perceberem novidades na sua própria criação. É como um pai que de uma hora para outra vê num filho um detalhe novo, uma expressão diferente. É a magia da fantasia, dessa droga chamada vida, que vicia tanto que a criamos e recriamos na arte, aflitos pela adrenalina e pelo prazer que nos doam as suas infatigáveis surpresas.

Simpático comentário sobre “Histórias de amor…”

31/03/2010

>>> postado originalmente no Acento Negativo, por Ciro Hamen, dia 30 de março de 2010.

Histórias de amor duram quanto mesmo?

29/03/2010

>>> postado originalmente em Saraiva Conteúdo.

Por Bruno Dorigatti
Foto de Tomás Rangel

> Assista à entrevista exclusiva de Caio Blat e Maria Ribeiro ao SaraivaConteúdo

Um escritor na altura dos seus 30 anos, desempregado e sem fazer nada da vida, vivendo do dinheiro que a mãe, falecida, deixou para ele, sofre de bloqueio criativo e não consegue seguir adiante com o seu livro. Bem casado, Zeca vive com Julia, professora que faz mestrado e leva a vida mais a sério. A história começa quando uma terceira pessoa se envolve com o casal, mas, o que poderia ser mais um filme clichê sobre triângulos amorosos e uma comédia romântica, na verdade, mostra de maneira particular os relacionamentos neste início de século, além de abordar o niilismo e a falta de desejos e atitudes da geração que procura adiar a entrada no mundo dos adultos.

Histórias de amor duram apenas 90 minutos é a estréia de Paulo Halm, roteirista conhecido por filmes como Guerra de CanudosPequeno Dicionário AmorosoDois perdidos numa noite suja. “Pelo que conta a sinopse, parece uma comédia romântica. Mas é apenas aparência. Disfarçado de comédia romântica, o filme trata de uma geração de pessoas talentosas que não conseguem decolar. Este fenômeno é bem comum na classe média aqui no Brasil. Pessoas inteligentes, sensíveis, e que, no entanto, se sabotam, se enrolam, ficam eternamente promissores, incapazes de realizar seus sonhos, seus projetos. São escritores que não publicam, cineastas que não filmam, promessas que não se cumprem”, diz Halm em entrevista ao site do filme. No longa, o casal é interpretado por outro casal que também está por volta dos 30 anos, Caio Blat e Maria Ribeiro. A terceira pessoa é a atriz argentina Luz Cipriota, que interpreta Carol, uma caliente portenha que mora em Santa Teresa, próximo à Lapa carioca, reduto do casal e por onde se desenrola o enredo.

“Recebi o roteiro do Paulo Halm, já o conhecia como um grande roteirista. É sua estréia como diretor, e adorei o título, Histórias de amor duram apenas 90 minutos. Comecei a ler e fiquei fascinado com o roteiro, é uma historia totalmente contemporânea, fala de relacionamentos, desejos de uma forma atual, sensual, engraçada, inteligente”, conta Caio Blat em entrevista exclusiva ao SaraivaConteúdo.

“No dia seguinte, falei com o Paulo que tinha adorado o roteiro. Só que é um casal que se envolve com uma terceira pessoa. E sugeri fazer com a Maria [Ribeiro, sua mulher], já que é um casal. O personagem tem tudo a ver com a gente no físico. São totalmente diferentes da gente, mas poderiam ser nossos amigos, pessoas conhecidas, nem tão distantes assim”, continua o ator, que participou de longas como Lavoura ArcaicaCarandiruBatismo de sangueO ano em que meus pais saíram de férias, mas também vem atuando em filmes mais independentes, como Cama de gato, Baixio das Bestas Os inquilinos.

Segundo Caio, a idéia do diretor era essa, chamar o casal, só não sabia como convidar os dois. “Aí a Maria leu o roteiro e adorou também. Ou não?”, indaga Caio. “Adorei, achei que era um filme diferente do que tem sido feito. Ele fala de pessoas de 30 anos, que têm essa coisa do não amadurecimento, ao mesmo tempo em que não trata os jovens de maneira idiota. Tem a pessoa de 30 anos empreendedora, e outra, também na faixa dos 30, que fica em casa o dia inteiro. O filme fala dessa geração e, ao mesmo tempo, é leve, fala de um Rio de Janeiro diferente. Achei encantadora a idéia de falar de coisas próximas, o que não vemos muito. Ficamos com vontade de ver esse filme, quando lemos o roteiro”, afirma Maria Ribeiro, que fez a mulher do Capitão Nascimento em Tropa de Elite e atualmente filma a seqüência do filme de José Padilha. Ela estreou na direção no ano passado, com o documentário intimista Domingos, sobre o dramaturgo e diretor Domingos de Oliveira, com que já trabalhou algumas vezes.

Os relacionamentos contemporâneos são abordados de maneira sensível e plausível, com um olhar focado bem próximo do desenrolar das situações, seja nos diálogos, na relação de Zeca com o pai, nas festas regadas a maconha e cocaína, numa liberdade maior em relação à sexualidade. Zeca, o pretenso escritor, empaca numa história que envolve um açougueiro que decide se tornar fotógrafo e faz ensaios sensuais com mulheres em seu ambiente de trabalho. Até que elas começam a aparecer mortas e esquartejadas no açougue. O principal suspeito é o fotógrafo/açougueiro, mas… Aí é que a história a la Rubem Fonseca empaca. O escritor inclusive é citado no filme, quando, em uma festa, uma personagem acusa Zeca de imitá-lo – assim como fez boa parte da geração de escritores surgida nos anos 1990 –, o que ele nega veementemente. Esse bloqueio criativo, junto com o desapego crescente do casal, além do aparecimento de Carol, movem o filme.

O filme de Halm procura subverter um pouco os clichês dos filmes que envolvem triângulos amorosos, e promete situações que acabam por não se cumprir. O casal chegou a participar dessas escolhas? “O roteiro estava bastante pronto, o que fizemos foi dar textura para ele”, recorda Caio. “Colocamos muita sujeira, tornamos o roteiro quase um filme de documentário através das falas do casal, como ‘Me dá meu óculos’, ‘Cê tem dinheiro?’, ‘Onde que ele pôs a carteira?’, ‘Cê num comprou água!’. Essa textura cotidiana, sujamos bastante”, completa. Sobre Zeca, ele gostou de interpretá-lo: “Meu personagem é saborosíssimo, porque é um cara que vive na frustração, na contra vontade, tudo para ele dá errado. Quanto mais ele sofre, mais quebra a cara, mais engraçado o filme fica”.

Com as semelhanças de idade, de cidade, de serem ambos, personagens e atores, de classe média, como fica para interpretar? “A dificuldade é compor um personagem, porque se é uma pessoa que mora na mesma cidade que eu, se veste como eu me visto, como vou fazer um personagem que não seja eu? É um desafio, porque, quanto mais distante de você, acho mais fácil de fazer uma composição. Facilidade, principalmente, foi contracenar com o Caio. Porque temos intimidade e, ao fazer um filme, você tenta estar próximo do ator ou da atriz, para que a pessoa seja banal, no bom sentido. O filme ganhou com isso”, acredita Maria.

Para Caio, “o filme retrata nossa geração, mostra como estão hoje os desejos, frustrações e expectativas. Ele tem certo sintoma dessa geração, um desinteresse geral, uma desilusão, talvez, com a política, as formas de mobilização social. Até a revolução sexual, a mudança do papel da mulher, casamentos abertos, o desbunde que teve nos anos 1970 e 1980. Depois veio a AIDS e encaretou tudo de novo”.

“Ninguém mais acha que vai mudar o mundo”, acrescenta Maria, que continua: “Tenho a sensação que, antigamente, com 20 anos, as pessoas queriam mudar o mundo. E hoje, com essa idade, já estão pensando em mercado de trabalho, que é uma coisa um pouco triste”.

A pergunta que o filme levanta é curiosa. Quanto tempo dura uma história de amor? É o tempo de um filme? Maria arrisca uma resposta: “Ao mesmo tempo, é uma brincadeira com os manuais de roteiro. Quando você vai fazer roteiro, tem aquelas coisas clássicas. O herói, com meia hora de filme, tem que passar por um revés etc. E comédia romântica tem que ter uma hora e meia. Acho que tem essa piada interna, que é legal”.

“Ah, eu já achava que era o tempo de um jogo de futebol, primeiro tempo, segundo tempo, hahaha”, retruca Caio. O casal atuou como produtor executivo de Histórias de amor… Por que a opção? “De uns tempos para cá, tenho me envolvido cada vez mais em todas as etapas do processo do filme. E tenho me sentido cada vez mais a vontade para me envolver em tudo. E como também a gente nunca ganha o quanto gostaria, uma das formas é se tornar sócio do filme, e ter essa proteção, esse direito de interferir mais”, explica.

Além disso, a exposição do casal, que interpreta (ou vive…) cenas de sexo no filme, foi um motivo a mais para procurar resguardar a intimidade dos dois. “Num filme como esse, onde estaríamos bastante expostos, a gente queria se sentir maximamente protegido. Então nossa participação, desde mexer nesses diálogos, na sujeira do roteiro, até trazer amigos para equipe, como o maquiador que temos confiança total, ir ao Caetano pedir uma música para a trilha. São formas que temos de ajudar, contribuir para o filme e, ao mesmo tempo se proteger, poder dar palpites na montagem, sugerir cenas com plano mais escuro, diminuir seqüências”, conta o ator.

“É uma forma de poder interferir, de estar mais a vontade para interferir e ser sócio mesmo, em todos os sentidos, do filme, inclusive no lançamento, na distribuição. De uns tempos para cá, cada vez mais tenho me metido muito nos filmes e discutido desde o roteiro até a montagem”, acrescenta Caio. Já Maria resume: “É o direito de encher o saco de um diretor”.

E como é atuar com a própria mulher? “O tempo inteiro, achávamos que tinha que se tomar cuidado com a luz, a música, a fotografia, o cenário. E, na verdade, foi um susto quando a gente chegou ao set, porque o material de que trata o filme é muito delicado. A gente é um casal, estamos superfelizes e, no filme, tínhamos que fazer um casal em desamor, que vive um momento de desencontro, desatenção. As situações que Zeca e Julia vivem no filme não são nada fáceis de lidar. O mais complicado foi entrar nesse clima de ciúmes e desconfiança”, revela o ator. “Teve o lado bom também, você beijou uma louraça, sensacional…”, se diverte Maria. “Claro, teve um lado onde todas as fantasias, através do filme, a gente pôde realizar, hahaha”, ri Caio junto com a mulher. “Eu beijei também uma louraça, sensacional…”, retruca a atriz.

“Hahaha. Mas até fazer cena de sexo é extremamente constrangedor. Você vai beijar a sua mulher diante da câmera, da equipe. Mas você vai dar um beijo técnico? É uma personagem ou a sua mulher? Existe uma mistura, uma coisa meio constrangedora, uma verdade que, de alguma maneira, está sendo mostrada, vendida. É delicado”, pondera o ator, que acabou de rodar o novo filme de Laís Bodansky.

“Tivemos que nos adaptar aos reality shows. Vender a nossa intimidade. Mas tudo bem, a gente se divertiu também”, finaliza Maria Ribeiro. O que foi divertido? “A parte divertida é brincar de brigar, e ter uma terceira pessoa, que é uma coisa que a gente não faz na nossa vida”, esclarece. Paulo Halm consegue nos fazer rir, além de refletir sobre um momento novo que vem vivendo a juventude brasileira de classe média, sobretudo nas grandes cidades, e de mexer com a fantasia de muita gente.

> Assista à entrevista exclusiva de Caio Blat e Maria Ribeiro ao SaraivaConteúdo

Notas irresponsáveis sobre o “Histórias de amor…”

27/03/2010

Esta semana, o crítico Carlos Alberto de Mattos, o @carmattos do Twiiter,  fez um comentário muito legal sobre o Histórias de amor duram apenas 90 minutos em seu blog. Não bastava retuitar, a gente quis reproduzir aqui.

O novo crepúsculo do macho

No ótimo e relativamente menosprezado Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, Paulo Halm dá uma nova e divertida versão para o crepúsculo do macho, aquele conceito criado pelo Gabeira nos anos 1980, quando ainda era um progressista. O personagem vivido em minúcias deliciosas por Caio Blat é um escritor em bloqueio criativo que suspeita que sua mulher está tendo um caso com uma amiga. E o diabo é que ele se apaixona também pela amiga. Numa das cenas mais hilárias do cinema brasileiro recente, Zeca deixa-se sodomizar em circunstâncias surpreendentes. Do ponto de vista metafórico, o episódio ilustra o pânico e a inferioridade do macho diante de mulheres realizadas e bem resolvidas. Apesar do vexame de Zeca, a testosterona corre solta nessa comédia muito bem escrita, dirigida e montada. Com uma qualidade extra: a metalinguagem não serve de muleta para a ausência de dramaturgia. Ela é apenas esporádica, um toque de charme a mais.

E nos comentários do post em questão – Notas irresponsáveis – um leitor do blog fez uma associação entre o filme de Paulo Halm e “A Mãe e a Puta” (1973), de Jean Eustache, em que Jean-Pierre Léaud seria o nosso Caio Blat, entorpecido entre duas mulheres, numa espécie de relacionamento a três mais ou menos assumido.

Para contar esta história na década de 70 a Eustache serviam 210 minutos. O “novo crepúsculo do macho”, ao que chamou atenção Carlos Alberto Mattos, coube em apenas 90 divertidos minutos. Já foi conferir? Não!? Então consulte a programação, desligue o computador e vá ao cinema! ;)

Sobre a ‘arte perdida das poucas expectativas’

26/03/2010

Quantas vezes você já deixou de ver um filme por uma má impressão que ouviu de alguém? Ou por completo desconhecimento do tema, enredo, elenco?  Tantas vezes a sinopse peca, o cartaz não convence e se você não conhece os atores, bau-bau.

É aquele velho papo: quando tem um filminho desconhecido, com ares pretensiosos de estar em exibição no mesmo cinema que outras super-produções hollywoodyanas, há quem acabe cedendo ao fascínio das caras conhecidas e às histórias mais ou menos populares, de tanto que passam o trailer nos canais da TV à cabo, e termine comprando o bilhete para aquele filme cuja história é já parcialmente revelada.

Mas ainda bem que nem todo mundo escolhe os filmes que vai assistir assim e nem os filmes são assim,ou de um tipo, ou de outro. Viva a diversidade!

Espectadores têm perfis bem variados: tem aqueles cinéfilos super viciados, quase obsessivos que antes de sair de casa já sabem tudo sobre o filme, verdadeiros peritos! Tem gente que prefere não ter nenhum julgamento, nem ler nenhuma opinião antes para avaliar depois; tem aqueles que vão procurar as notícias depois; aqueles suja experiência se limita à sala do cinema e ponto, nada de procurar saber mais nem antes e muito menos depois; tem aqueles que curtem tanto, se apaixonam, viram fans e de um dia pro outro começam a encher o saco de todos os amigos para irem assistir o tal filme, descobrem todas as curiosidades das filmagens e quase contam o final. Há quem veja uma, duas, três vezes o mesmo filme no cinema e depois ainda compra o DVD.  Há quem espere sair o DVD (sem falar nos downloadeiros de plantão!). Quem assiste acompanhando, quem assiste sozinho.

Os tipos de espectadores são muitos, a gente poderia passar o resto do dia definindo perfis, mas não interessa muito. Todos eles acabam tendo uma coisa em comum: ou vão para o cinema com expectativas ou vão sem expectativa alguma. E falando em expectativas, encontramos um relato muito interessante na blogsfera, confiram:

Escrito por João Baldi Jr. no post “A arte perdida das poucas expectativas (ou minha resenha do show do Franz Ferdinand e do filme do Paulo Halm)“, em seu blog Just Wrapped up in books.

Uma das coisas que me pai me ensinou quando criança e que eu guardei pra vida inteira é que não devemos criar grandes expectativas, porque quando maior a expectativa maior a possível frustração. Eu sei, eu sei, é uma postura de vida meio defensiva demais, mas com o tempo eu fui aprendendo que é o tipo de coisa que acaba fazendo sentido, já que quase sempre nos momentos em que eu saio de casa pra algum evento, programa ou qualquer coisa do tipo com grandes expectativas (e talvez até algumas citações de Charles Dickens) eu volto profundamente frustrado (ainda mais porque as minhas grandes expectativas quase sempre são muito, mas muito grandes e envolvem Ellen Page, anéis energéticos do Lanterna Verdes, shows particulares do Wilco na beira de uma piscina e cachoeiras de iogurte de côco) e quando eu saio com expectativas baixas (baixas mesmo, do tipo “não morrer hoje”) eu acabo me divertindo muito mais. E foi isso que aconteceu na última terça com o filme “Histórias de amor duram apenas 90 minutos” e nesse sábado com o show do Franz Ferdinand.

Sobre o filme eu posso dizer que as minhas expectativas eram as menores possíveis. As únicas duas fontes de informação que eu tinha sobre ele eram o pôster que eu vi no site do cinema e as opiniões absolutamente divergentes que eu recebi por parte de dois amigos. Se uma amiga me disse que o filme era uma “pouca vergonha” com cenas incessantes de sexo (o que realmente me fazia estranhar que ele não tenha sido lançado sob o selo “Brasileirinhas apresenta”) outro amigo me disse que o filme era inteligente e interessante, o que me fez sair de casa esperando, sei lá, o filme pornô softcore mais bem escrito da história recente da humanidade. E chegando lá o que eu vi foi um bocado diferente.

A história do jovem escritor de quase trinta anos que não consegue terminar o primeiro livro e se vê envolvido num triângulo amoroso ao pensar que está sendo traído pela mulher (santa sinopse, Batman!) é uma daquelas histórias de geração que, se não são geniais, ao menos funcionam bem como narrativa. A trama fala bem sobre essa “crise de quase meia idade”, mistura Rubem Fonseca e Baudelaire e tem um bom roteiro, ainda que dê aquela tropeçada clássica na pretensão em alguns momentos. O elenco principal, com Caio Blat, Maria Ribeiro e Sol Cipriota se sai muito bem, com destaque para Daniel Dantas, no papel do pai do protagonista, que não só rouba a cena como ainda solta uma das frases que eu realmente terei que emoldurar e colocar numa parede do meu quarto, a pra mim já clássica “senta a bunda na frente do computador e termina essa porra desse livro”. Ou seja, saí de casa esperando pornô softcore e ganhei um bom filme nacional com um roteiro interessante. Ponto pra mim. (…)

Bacana, né? E você, como vai para o cinema? Já parou para pensar na sua experiência com a sétima arte? Como VOCÊ vive um filme?

Se pussui um blog e/ou escreveu algo a respeito, conte pra gente! ;)

@histdeamor / historiasdeamorfilme@gmail.com

Circuito Histórias de amor duram apenas 90 minutos até o dia 01º de abril

26/03/2010

Rio de Janeiro

RJ – Rio de Janeiro / Unibanco Arteplex sl.05

RJ – Rio de Janeiro / Ponto Cine

RJ – Rio de Janeiro / Odeon

RJ – Rio de Janeiro / Santa Teresa

RJ – Petrópolis / Mercado Estação

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São Paulo

SP – São Paulo / Espaço Unibanco sl.05

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Salvador

BA – Salvador / Sala XIV

BA – Salvador / Sala UFBA

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Curitiba

PR – Curitiba / Arteplex sl.02

PR – Curitiba / Cineplex Batel sl.04

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Porto Alegre

RS – Porto Alegre / GNC Moinhos sl.08

RS – Porto Alegre / Unibanco Arteplex sl.08

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IMPORTANTE: confirme os horários das sessões nos jornais de sua cidade.


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Uma história de amor em apenas 140 caracteres

24/03/2010

Com Histórias de amor duram apenas 90 minutos brincamos muito com esta questão da metalinguagem, o título fazendo referência à duração do filme  - ideal para os formatos comerciais – e ao mesmo tempo à efemeridade deste sentimento tão complexo que é o amor. Complexo!? Complexo mesmo é defini-lo em uma palavra.

Há quem diga que o amor é bastante democrático e dotado de muita “plasticidade”, o amor é mutante, mutável revolucionário. Tem o poder de transformar, né? Nunca passa em branco. Até a sua dor é desejada… É tão bom morrer de amor uma vez ou outra. Mas tem gente que prefere não sofrer, prefere não se entregar. Ai de quem se rende (!). Outros reclamam não ter sorte no amor e assistem às histórias alheias (felizes ou tristes, não importa) com certo desdém invejoso. Mas é também bem verdade que muitos sabem admirar e esperar pela pessoa certa, na hora certa, no lugar certo.

Ah…o amor, essa coisa maravilhosa que parece às vezes perdoar todo lugar-comum, esse sentimento que “do nada” vira um pronome próprio e com toda autoridade se inscreve por todos os lados com inicial em caixa alta, preenche as agendas dos adolescentes, oscila feito humor de mulher em TPM, vibra, brilha, explode, fecunda, nasce, se expande.

Esse sentimento tem tantas faces, tantas cores, tantos lados, tantos modos, tempos, pessoas…  São talmente tantas infinitudes que fica difícil listar, difícil de caber em frase, traduzir em palavras, colocar no telão porque não tem receita, não se traduz em uma fórmula, não é nunca igual. É singular e plural em si mesmo. É! Simplesmente é.

Opa… demos uma pequena viajada no tema. Também, que difícil falar de amor. Mas voltando ao motivo do post. Sempre brincando com o título o @rioetc teve uma excelente idéia e propôs que as pessoas escrevem um historia de amor em apenas 140 caracteres. Os vencedores da promoção irão ao cinema como nossos convidados e com todo mérito, afinal, se é difícil definir o amor em poucas palavras, imaginem como é difícil contar uma história em apenas 140 toques. Loucura, né? Mas o resultado foi fantástico! Muitas pérolas! Vamos ver?

As melhores histórias selecionadas pela comissão julgadora do blog Rio etc foram:

1) Um filme B – por Danks

“Ela Bia, ele Beto. Ele Bonsucesso,ela Botafogo. Ela bailarina, ele bombeiro. ela baila, ele bebe. ele beliscão, ela bofetão.só o B em comum.”

2) O Pequeno Pedro – por Milena Pessoa

“2 anos atrás: casal infeliz. 3 idas ao orfanato e pequeno pedro troca olhares com “família”: amor à 1ª vista. hj: casal com filho e feliz.”

3) Uma comédia romântica – por Ana Paula Ferreira

“Td dia ele pegava o ônibus às 7h. Ela às 7:30. Um dia ele se atrasou. Ele conheceu Ela. Casaram-se 4 anos depois e agora pegam o de 7:15.”

4) Ensina-me a viver – por Nara Iachan

“Rô se viu apaixonado por Ná. Mas ela era 20 anos mais velha e casada. Quando descobriu, o apresentou à sua filha. Foi amor à primeira vista.”

5) Triângulo amoroso – por Aline Sampin

“João amava Maria, que amava José, que não amava ninguém… João fez terapia. E não é que deu pé? Maria casou com João. José ficou solteirão.”

6) Endless Summer – por :D

“Ele vivia indo pro sul pra pegar onda e procurar uma princesa. Encontrou sua manezinha da ilha em Sta Teresa. Pensou: é ela, tenho certeza!”

Bacana, né? O pessoal que fez a seleção achou muito divertido. Puderas, foram tantas micro-histórias de amor enviadas, nem por isso, de amor menor :D

Parabéns a todos que participaram! E aos vencedores! Se fosse possível premiar a todos o faríamos com prazer, porque convenhamos, é uma proeza falar de amor com tão poucos toques.

OBS: excluíndo esta linha esse post tem 3574 caracteres!

Olhos de ressaca (e ressentimento)

23/03/2010

Segunda resenha que nos lembra o clássico de Machado de Assis, Dom Casmurro. Talvez para ler ao som de “Lígia

>>>postado originalmente no Tela Brasil, por Aline Khoury, em 23 de março de 2009.

Logo nas primeiras falas de Histórias de amor duram apenas 90 minutos (Paulo Halm) o espectador prevê um personagem meio clichê. Como todo escritor em crise que se preza, Zeca (Caio Blat) é fumante, pálido, magrelo e vítima de uma arrebatadora paralisia criativa sem prazo para acabar.  Seu ar de vagabundo chutador de latinhas pode ser resumido, como ele mesmo admite, pelo rabugento de Tom Jobim em “Lígia”: “Não gosto de samba. Não vou à Ipanema. Não gosto de chuva nem gosto de sol…”.

Para fomentar sua tendência suicida, parece que não apenas Zeca não gosta de nada, mas que nada ao redor sequer nota sua presença. Mesmo casado com a intelectual Julia (Maria Ribeiro), um vazio irreparável insiste em pairar por sua cabeça como uma nuvem cinzenta. Esse cotidiano sem graça e inerte é surpreendido pela charmosíssima Carol (a argentina Luz Cipriota), que passa a manter um caso com o aspirante a escritor.

Carol é aluna de Julia e a intimidade entre as duas se estreita a cada dia. As belas passam a ser tão próximas e confidentes que abrem margem a duplas interpretações sobre sua misteriosa relação. “Duplas”, porém, segundo as palavras de Zeca – e está justamente aí o ponto alto da trama.  Ao acompanhar o filme apenas pela narração do rapaz, o espectador está sujeito somente ao seu olhar, e portanto às suas interpretações. Mas uma combinação explosiva de emoções ataca Zeca por todos os lados: os jogos de sedução da amante, o receio de perder a tão idealizada Julia, um ciúme doentio que sente por ambas e ainda a velha “dor de corno” (nesse caso duplamente dolorosa). Até que ponto, então, é possível confiar em um narrador assim tão perturbado?

Permeiam o filme cenas de carícias ingênuas e outras lascivas entre as muy amigas. Toda esta paixão pode, porém, não ter passado de flashes da imaginação do escritor.  Somos reféns da visão de seu coração partido – e por isso mesmo desconfiado – como somos do juízo irreversível de Bentinho ao menor gesto de Capitu (que nessa história preferiu uma musa loira ao antiquado Escobar).

“Histórias de amor…” desencadeando reflexões

22/03/2010

Em uma das várias entrevistas que deu nos últimos dias sobre o seu primeiro trabalho como diretor, o roteirista Paulo Halm falou que uma de suas expectativas era de que Histórias de amor duram apenas 90 minutos gerasse identificação. O filme está em cartaz desde 12 de março e parece que sua expectativa,  neste sentido, não foi nada frustrada. Recebemos diversas mensagens no Twitter de pessoas que de uma maneira ou de outra, se enxergaram em situações parecidas com a de Zeca (Caio Blat), espécie de anti-heroi da nossa história, o exemplo a não ser seguido.

Algumas pessoas que assistiram ao filme publicaram suas impressões em seus blogs, gostaríamos de compartilhar agora aquela de Vitor Stefano, do blog Sessões.

Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos

Nome Original: Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos
Diretor: Paulo Halm (para reler a entrevista com o diretor, clique aqui)
Ano: 2010
País: Brasil/Argentina
Elenco: Caio Blat, Maria Ribeiro, Luz Cipriota e Daniel Dantas
Prêmio: Melhor Filme, pelo Juri Popular do Festival de Santa Maria da Feira (Portugal), Melhor Ator (Caio Blat) e Melhor Edição de Som no Festival de Goiania)

Alguns sabem que passo por uma crise produtiva. Não consigo escrever mais meus textos como gostava. Não pinta inspiração, falta criatividade. Não, eu não me chamo Zeca. Não, eu não tenho quase 30 anos. E não, não estou na quinquagésima página de um livro e nem é a minha pretenção. Hoje não, mas talvez não seja má idéia para o futuro. Quem sabe quando eu tiver quase 30. E quem sabe esse texto não seja um divisor de águas de minha crise. Pois não há pintor sem quadros, não há cineasta sem filme e não há escritor sem texto.
O longo nome do filme nos dá uma sensação de estar pisando em campo amigo, de saber o que está para acontecer e conseguir enxergar que situações da ficção são totalmente táteis e reais. Não há como definir só um gênero para o ‘Histórias…’. É uma comédia, com fundo dramático, pitadas de erotismo, embebido em uma curta animação e um aroma de história real com intrigas familiares e dilemas do dia a dia. Paulo Halm, famoso por ótimos roteiros, consegue atingir um feito que poucos conseguiram. Um debut em grande estilo na direção com um filme agradável, inteligente, sufocante e verdadeiro. Um filme de grande diversisade e que agradará a todos.

Caio Blat na pele de Zeca é o narrador. Zeca é um adulto com espirito de jovem irresponsável, que como diz seu pai, só pensa em buceta. Mas acho que poderia melhorar essa frase, colocando o cigarro dentre as coisas que ele só pensa. O cigarro tem um papel importante no filme, ele nos leva para dentro da película e nos remete a um estado de claustrofobia, o qual Zeca está vivendo. Dúvidas sobre a vida, sobre trabalho, sobre o pai e sobre quem foi um dia. Talvez o que mais Zeca queira, além de fingir que tenta se matar, é saber quem ele será amanhã.

Não bastasse os seus problemas, há outro problema. Mulher. Seu pai logo lhe alerta: “Mulher e problema é praticamente um pleonasmo”. Todas as confusões que Julia, sua esposa e Carol, a melhor amiga lhe causam não aliviam em nada a crise de Zeca. Um suposto triangulo amoroso, que só exist na mente fértil do homem da(s) relação(ões). Zeca em momentos encarna Woody Allen, um homem torturado em crises amorosas que parecem interminaveis. Há DRs que parecem brigas que você já teve um dia com namorada, ficante, amante ou mulher. São tantas reviravoltas, loucuras e até bizarrices, que Zeca talvez tenha finalmente crescido, tentado levar a vida a sério, superando a sua crise dos 30 e ouvido seu pai dizer: “Senta a bunda na frente do computador e termina essa porra desse livro”.

Halm conseguiu tirar de Blat uma atuação complexa e muito competente, digna de um protagonista. Foi muito bem acessorado por sua mulher (da vida real) Maria Ribeiro e pela bela Luz. Daniel Dantas dá um show de performance como o pai frustrado. O filme é ótimo, desde a trilha sonora (que conta com a linda interpretação de Caetano Veloso da música Nature Boy), não percam. A única tristeza, não foi causada pelo filme, mas sim por um cinema de 125 lugares e apenas 13 ocupados. Uma obra de ótima qualidade, não pode não ser visto. Não deixem de prestigiar o cinema nacional, pois somos capazes de ótimas produções, como essa de Paulo Halm! Obrigado e parabéns diretor.

Acho que minha crise ainda não foi superada. Mais um texto sem grande impacto, sem graça e insonso. Mas o filme merece ser comentado e divulgado! Embebede-se com o curta animado que conta a história de 50 páginas de Zeca. E que o romance que ele escrever dure mais que 50 páginas, pois as histórias de amor, duram apenas 90 minutos.

Comix animado do filme.

Caio Blat amanhã no Cine Mitsubishi com Maria Fernanda Luvizotto

19/03/2010

Amanhã no Cine Mitsubishi, programa da rádio da Mitsubishi FM (92,5 MHz), a apresentadora Maria Fernanda Luvizotto vai conversar com Caio Blat sobre o filme “Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos“, em cartaz em São Paulo, Rio deJaneiro, Salvador ( em breve: Curitiba e Porto Alegre).

O “Cine Mitsubishi” vai ao ar todo sábado, a partir das 18h, na Mitsubishi 92,5 FM. Sintonizem!

Só dá ele

19/03/2010

>>> postado originalmente em Portal Ibope de Notícias, em 19 de março de 2010.

OPINIÃO:

Afastado da telinha desde Caminho das Índias, da Globo, onde interpretou o indiano Rhavi, se engana quem pensa que Caio Blat está descansando.

O ator, que já lançou o filme Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, no início deste mês em São Paulo, se prepara para o lançamento de mais três produções. Em conversa para O Fuxico, o ator conta um pouco dos projetos para este ano.

“Apesar de não estar na tevê, tenho feito bastante coisa. No mês que vem já estamos nos preparando para o lançamento do filme Melhores Coisas do Mundodirigido por Laís Bodanzky, que fala sobre a relação dos jovens e tem como público alvo os adolescentes. Em agosto, Bróder de Jeferson De entra em cartaz. E em setembro também estreio nos cinemas com O Bem Amado de Guel Arraes”.

Sobre um possível trabalho na tevê, Caio ainda não tem nenhuma proposta, mas acha ótimo esse tempo longe das telinhas.

“Fiz uma novela no ano passado, gosto de descansar da tevê um pouco. Antes, você sentia saudade de um ator atuando em novelas e torcia para ele voltar. Hoje é normal ver o mesmo ator emendando uma novela na outra, mas eu acho péssimo para a carreira do próprio artista. Tem que dar um tempo”.

Ainda neste ano, Caio deve estrear uma peça ao lado de Marco Nanini. Apesar de ainda não ter uma data definida, ele garante que o espetáculo vai ficar em cartaz no Rio de Janeiro e em São Paulo.

“Vamos fazer uma peça no segundo semestre. É um texto americano que conta a história de uma família meio maluca. Eu vou fazer o filho dessa família, que vai ser apaixonado por uma moça, mas não consegue compreender muito seus parentes, eles são meio neuróticos. A peça chama Os Piterodátilos, ainda não começamos a ensaiar nem nada, mas sei que devemos passar pelo Rio e por São Paulo com o espetáculo.”

Maria Ribeiro quer folga depois de Tropa de Elite 2

19/03/2010

Segundo o R7, a nossa atriz Maria Ribeiro quer uma folga depois das filmagens de Tropa de Elite 2. Pelo menos até o meio do ano.

Em “Histórias de amor duram apenas 90 minutos”, Maria Ribeiro interpreta Júlia, mulher do personagem de seu marido na vida real, Caio Blat.

- Foi diferente da vida em casa, porque eu conheço meu marido, mas, em cena, o Caio é muito rigoroso. Ele é um ator xiita [risos]. Foi muito interessante conhecê-lo também no ambiente de trabalho. – disse Maria ao R7.

No filme, muito ao contrário do que se passa na vida real, o casal vive uma crise no relacionamento.

Caio e Maria falaram do quão curiosa foi esta experiência em diversas entrevistas que podem ser conferidas aqui no blog. Também falaram  em vídeo, como podem ver aqui.

Maria, que em janeiro teve o seu primeiro filho com Caio, tem levado ralado bastante para as filmagens de Tropa de Elite 2, em que volta a interpretar a mulher do Capitão Nascimento (Wagner Moura). Mas Maria não reclama:

-Levo meu filho [Bento] para as filmagens e conto com ajuda de uma pessoa muito importante, a Joana [babá]. Tenho uma vida privilegiada. Não posso reclamar e nem achar que essa rotina é muito cansativa. Corrida é a rotina de quem tem de ficar por três horas em um ônibus todos os dias e ainda chegar casa para preparar comida para filhos e marido.

É isso aí, da-lhe Maria! Sucesso!

Para ler a matéria original no R7 clique aqui.


Desligue o computador e vá ao cinema

19/03/2010

Twitter é uma coisa engraçada, né? Mesmo sem conhecer as pessoas você acaba entrando na intimidade delas, sabendo quando elas acordam, muitas vezes o que elas comem, que programas preferem, as músicas favoritas e geralmente o que a pessoa foi fazer quando ficou off. Pois é, tem gente que avisa na ida: “vou fazer tal coisa”, outros contam na volta: “fiz tal coisa, e foi assim, assim e assado”.

A velha perguntinha “O que você está fazendo agora?” já deixou de ser o mote há muito tempo. O agora é algo muito difícil de apreender nos dias de hoje… E o microblogging é a expressão mais eloquente dessa hiper contemporaneidade. Dia desses saiu no jornal que já existem clínicas de tratamento para web dependentes… que mundo louco! Será que hoje o Pedro Bandeira também teria escrito “A droga da internet”? #seila (aiai, essa mania de hashtag)

Felizmente ainda tem um montão, mas um montão mesmo, de gente que consegue desligar o computador e sair pra vida. A @ferreirabia, por exemplo, tinha comentado sobre assistir o “Histórias de amor…” e então nós perguntamos o que ela achou. Eis a resposta:

;-)

Desligue o computador e vá ao cinema!

Saia justa

17/03/2010

Hoje à noite as meninas do Saia Justa vão receber como convidado Caio Blat, o Zeca de Histórias de amor duram apenas 90 minutos. No quarto bloco do programa, Caio vai falar um pouco do filme em que trabalhou diretamente com a sua mulher na vida real, a também atriz Maria Ribeiro, que junto com ele também se tornou co-produtora do longa-metragem, associando-se à Heloisa Rezende em sua primeira produção individual.

Quem vem acompanhando este blog percebeu que esse menino não pára mais, é exibição com debate aqui, entrevista ali, pré-estreia lá. Este ano a agenda de Caio está bombando, ele que está em 05 filmes que serão lançados ainda nesse primeiro semestre, também acabou de ser papai. Bento, filho dele e de Maria Ribeiro, nasceu em janeiro.

No longa Histórias de amor duram apenas 90 minutos, escrito e dirigido por Paulo Halm, a relação entre pai e filho também é explorada. Daniel Dantas no filme vive, Humberto, o pai inconformado de Zeca, que não consegue mais passar a mão por cima da improdutividade do filho marmanjo, que desde pequeno é uma promessa de escritor, mas nunca escreveu um livro inteiro. Os diálogos entre Humberto e Zeca são um dos grandes presentes de Paulo Halm aos espectadores.

Não percam: hoje às 22:30h no GNT o programa Saia Justa, com a participação especial do nosso Caio Blat.

Será que ele vai ter de explicar a saia justa de ver sua mulher atuando em cenas mais quentes com uma outra mulher? Ou como se sente ao assistir o filme no cinema junto de Maria e toda a platéia? O que será que passa na cabeça de Caio durante as cenas de sexo, quando ele e Maria acabam expondo, de certa maneira, a intimidade do casal para todo mundo? Não temos a pauta do programa, mas estamos curiosos para saber como vai ser. Vamos conferir!

Entrevista com Caio Blat e Maria Ribeiro no Cineplayers

17/03/2010

>>> postado originalmente no Cineplayers, por Andy Malafaya, em 16 de março de 2010.

Casal de atores é protagonista de ‘Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos’.

Caio Blat e Maria Ribeiro receberam a equipe de Cineplayers para um bate-papo a respeito de Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, filme protagonizado por eles, cuja estréia aconteceu na última sexta-feira.

Os atores, casados na vida real, vivem nas telas um jovem casal em crise que é perturbado ainda mais com a chegada de um terceiro elemento.

Cineplayers: Em ‘Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos’ vocês encarnam marido e mulher, reprisando os papéis da vida real. Como surgiu essa oportunidade?

Caio Blat: Eu tenho essa coisa de me envolver muito em todos os projetos. Em todos os filmes que faço eu quero discutir o roteiro com o diretor, eu quero trazer amigos meus para dentro da equipe, é coisa da minha natureza. Nós fomos convidados a fazer esse filme e o Paulo (Halm, roteirista e diretor do filme) abriu a possibilidade de trabalharmos como casal. Nós sempre evitamos trabalhar juntos, porque é muito importante para cada um ter seu espaço. Só que nós ficamos completamente apaixonados pelo roteiro, achamos a história sensacional, muito contemporânea, que trata de relacionamentos da forma como poucos filmes fazem, que fala da gente mesmo, de gente de trinta anos.

Cineplayers: E como foi a experiência de filmar a intimidade de vocês?

Caio Blat: É aí que começamos a pesar as coisas, com todo o risco de estarmos expondo nossos corpos. No final, a gente achou que valia a pena entrar nessa. Pensamos em vários casais que trabalharam juntos filmando a relação. Eu amo os filmes do Woody Allen e o que ele fazia com as mulheres dele, discutindo a relação, discutindo a traição, o desejo, o ciúme, a crise. Tem o Domingos de Oliveira que fez vários filmes com a Priscilla (a atriz Priscila Rozenbaum), com as mulheres dele, discutindo relação…

Maria Ribeiro: Tem um diálogo que eu adoro, que o Domingos fala em Separações, mas que eu concordo em parte. Ele fala: “Se o trabalho é o melhor de tudo, como é que a gente vai perder essa?”. É uma coisa fascinante, realmente.  Você juntar o prazer que tem pelo trabalho com a pessoa que você ama, é muito legal, porque você acaba dando o melhor de você.

Caio Blat: Não que não tenha sido difícil, não tenha sido sofrido. É complicado você estar apaixonado e chegar no set, durante dois meses, e ser parte de um casal em crise, que não tem mais interesse um pelo outro, que não está mais se entendendo direito. É um pouco constrangedor mesmo. Caramba, a gente pensou em tudo, só não pensou que agora tem que fazer uma cena de sexo aqui…

Maria Ribeiro: Eu realmente achei que fazer as cenas de sexo ia ser mole. “Ah, isso a gente não tem que se preocupar!” Mas não foi bem assim…

Cineplayers: Até porque é complicado chegar a um nível de intimidade em um set com mais quinze pessoas…

Caio Blat: É uma sensação engraçada porque a gente achou realmente que não ia ser um problema. Mas quando chegou a hora, foi tão constrangedor… É como se fosse um casal de verdade sendo filmado. Cheguei a pensar na hora de filmar que eu teria que dar um beijo técnico na minha esposa. É a minha mulher, mas está sendo filmado, vai ser mostrado! Mas aí você pensa que vai ter a luz do Nonato, que o roteiro é do Paulo, um mestre, tem a direção de arte da Renata Pinheiro, que eu considero um gênio… É todo um circo armado para a gente ser o centro das atenções, um presente que todo casal de atores sonha em ter, que não dá para recusar.

Cineplayers: Zeca, o personagem principal do filme, está passando por uma fase de transição, com a chegada – e recusa – da maturidade. O que há de Caio Blat nele?

Caio Blat: Eu acho que existe um sintoma geracional. Eu tenho muitos amigos que tem essa dificuldade com a chegada da maturidade, que estão saindo da casa dos pais cada vez mais tarde. As pessoas estão encarando relacionamentos sérios cada vez menos; eu vejo amigos de quase quarenta anos que não estão querendo ter filhos, e que só agora estão percebendo que não investiram nisso antes. Eu acho que a nossa geração é muito despolitizada, desinteressada. Eu sou o oposto, comecei a trabalhar com dez anos de idade, saí de casa com dezessete, e de alguns anos para cá tenho tomado bastante a rédea da minha carreira, para direcioná-la para o cinema e para o teatro. A oportunidade de dar esse direcionamento é um privilégio.

Maria Ribeiro: Mas nós temos amigos que dizem ser escritores, mas nunca escreveram nada, amigos que dizem ser cineastas, mas nunca fizeram um filme sequer. E que não conseguem se envolver com ninguém.

Caio Blat: Eu acho que nossa geração é um pouco careta nessa coisa de relacionamento. Se a gente for pensar nos anos 60, 70, houve um desbunde, um rompimento muito forte, com a posição da mulher radicalmente mudada. E até hoje a gente fica um pouco perdido, porque teve uma ressaca, com o advento da ditadura, da AIDS… Acho que houve uma regressão dos costumes. Por exemplo, o Zeca fica perdido diante de uma atração entre duas mulheres, e não sabe lidar com aquilo. Ele é homem, machista, criado pelo pai, e ainda fica desconcertado. É dificíl, ainda nos dias de hoje, falar sobre desejo, sobre traição. O filme se propõe um pouco a falar sobre isso. A graça do personagem não é uma graça de ser engraçado, é uma graça patética. Analisando do ponto técnico como ator, ele é um prato cheio, porque ele age na contra-vontade, ele sempre faz aquilo que ele não gostaria de fazer: ele não quer se envolver com aquela loira, ele não quer descobrir que o relacionamento dele está dando errado, ele não quer terminar o livro, então quanto mais o personagem sofre, mais engraçado o filme fica. É um cara sozinho, que tem dificuldades de crescer, é um cara criado por aquele pai durão, que não é carinhoso, que perdeu a mãe muito cedo.

Maria Ribeiro: Eu acho não casar uma coisa supercareta…

Caio Blat: As pessoas estão tendo uma dificuldade muito grande em se comprometer. Eu vejo vários amigos que estão numa relação há anos e se você perguntar “você ama, é a pessoa da sua vida?”, eles respondem “não, estou esperando, quero ter filho um dia, mas não agora”. As pessoas estão tendo dificuldades de se entregar, de se comprometer, e talvez seja mais ou menos isso que a Maria falou, que seja avançado as pessoas dividirem uma casa, ter filho. O normal hoje é as pessoas ir levando as coisas com a barriga, ir enrolando.

Cineplayers: É uma geração que não aconteceu?

Caio Blat: É uma não-geração, uma certa ressaca.  Aconteceu uma explosão cultural, criativa, sexual, comportamental… tudo isso foi revirado no século passado, tudo ficou de cabeça para baixo. Até os yuppies tinham uma posição, eram executivos jovens que queriam se tornar milionários. Mas tudo foi por água abaixo. As drogas se tornaram uma roubada, a política se tornou uma roubada. Não adianta você querer mudar o mundo, não adianta querer que a esquerda mude o mundo. Há uma decepção muito grande com os ícones, com o PT. Fracassou tudo aquilo que a gente acreditava que ia mudar o mundo, que ia trazer novos valores. Até mesmo a revolução sexual trouxe uma geração mais careta ainda. Hoje as pessoas nem podem ter mais vários parceiros, tem que usar camisinha. Imagina como a coisa ficou mais constrangida.

Cineplayers: O filme traz uma linguagem muito próxima dos jovens dos 20, 30 anos, que não é retratada ou é mal retratada no cinema brasileiro.

Caio Blat: A Maria fala que uma coisa genial, que é o tipo de filme que a gente queria ver.  Porque fala da gente, pra gente, é muito próximo do nosso universo, muito próximo do universo dos nossos amigos, então é um privilégio a gente se voltar um pouco para nossa própria turma. É um filme sobre a nossa geração, sobre pessoas próximas, nossos amigos. Espero que esse sentimento de que faltam filmes sobre isso faça com que bastante gente vá ao cinema.

Cineplayers: Quais são as expectativas em relação ao público?

Caio Blat: Eu acho que o filme vai ter muita sorte, que vai trazer muita sorte para a gente. É um filme contemporâneo, esperto. Ele é muito pequeno, a gente fez com um orçamento mínimo, equipe pequena, todos muito bem concentrados. E em todo lugar que a gente vai, as pessoas ficam encantadas. No Festival do Rio foi o filme nacional mais visto, mais procurado. A gente também ganhou prêmio do público em Portugal, eu ganhei prêmio em Goiânia.

Maria Ribeiro: Ele tem uma levada de público, eu acho…

Caio Blat: É um filme que surpreende as pessoas, despretensioso. Parece que é apenas uma comédia romântica. Eu espero que ele seja surpreendente, que faça uma carreira bonita. Ele tem toda a condição de conquistar o público, de atrair bastante gente. É muito gostoso de ver, muito atual, e isso é uma barreira do cinema brasileiro. De quinze, vinte filmes que eu fiz, apenas um fez boa bilheteria. Todos são maravilhosos, ganharam duzentos prêmios. Mas eu quero ver as pessoas indo ao cinema. Eu acredito que o filme tenha esse apelo.

D.R. na tela

17/03/2010

Com certeza vocês vão adorar! Está muito divertida e interessante esta matéria da TPM. O pessoal da Revista está de parabéns! Muito bom ver o Caio e a Maria tendo esta conversa.

>>> postado originalmente na Revista TPM, por Luíza Karam, em 12 de março de 2010.

Estreou nesta sexta o longa-metragem Histórias de Amor duram apenas 90 minutos, de Paulo Halm. O filme retrata a rotina acomodada e discrepante do casal Zeca (Caio Blat) – um escritor de 30 anos frustrado com a vida profissional – e Julia (Maria Ribeiro) – professora de Belas Artes dedicada ao mestrado e ao sonho de estudar em Paris – que sofre uma reviravolta por causa de outra mulher (Luz Cipriota).

Em tempos da novela Viver a Vida, não é de surpreender um roteiro em que haja traições. Mas o frescor desta história vem de outro aspecto: quem trai o parceiro com a tal mulher é Julia. E a partir daí – e da descoberta do caso por Zeca – constrói-se um triângulo amoroso.

Caio Blat e Maria Ribeiro são casados também fora das telas e a experiência cinematográfica rendeu novas questões a serem discutidas pelo par. Foi pensando nisso que Tpm propôs aos dois uma conversa no maior estilo D.R. [Discussão de Relacionamento], para que lavassem roupa suja junto da gente.

Senta a bunda na frente do computador e termina essa p*** desse livro

17/03/2010

>>> postado originalmente em Lounge, da Lia Amancio

Não é que eu esteja monotemática, é? Pode ser também que eu esteja acumulando funções no trabalho. Pode ser, também, que eu goste muito do que meus amigos fazem (fato) e que o Paulo Halm seja um cara muito sagaz e observador dessa geração – a minha, e quando falo em geração não quero dizer só faixa etária, mas também formação cultural – em que todo mundo escreve mas não publica (ou não grava, ou não filma), em que caras de 30 anos são sustentados pelos pais, a geração dos alunos de mestrado em arte/literatura/cinema/comunicação, a geração dos pais que dão bronca mas acabam fazendo os cheques pros filhos, a das mocinhas que frequentam praia e barzinho de Santa Teresa, os junkies do mundo bizarro da Lapa… se você não é um deles, você conhece um deles. Eu conheço vários:

Sim, o Paulo é um cara sagaz.

Não é porque esse é mais um lançamento lá da firma, mas realmente gostei de ‘Histórias de amor duram apenas 90 minutos’ a ponto de transpor a fronteira ‘trabalho – blog pessoal’ e fazer a maior propaganda do filme aqui: é que eu conheço esses lugares e essas pessoas TODAS, ainda que não sejam ninguém em especial. Conheço as referências culturais que permeiam o filme, conheço os lugares por onde Zeca, Carol e Júlia passam, sei bem esse momento em que eles estão vivendo. E adoro quadrinhos e animações:

Comix animado no longa “Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos” from mimo studios on Vimeo.

Podia também traçar paralelos com Machado de Assis (afinal, Júlia tem ou não tem um caso com Carol? É tudo viagem da cabeça de Zeca?), podia falar da excelente direção de arte e cenografia, podia falar mais e mais da trilha, gostosíssima e dinâmica, cheia de surfs instrumentais e jazzinhos retrô. Podia falar sobre o ótimo momento do cinema de baixo orçamento, sobre como ‘Histórias de amor duram apenas 90 minutos’ é um ótimo exemplo de cinema autoral e roteiro cheio de chistes, meio sarcástico, do jeito que a gente gosta. Mas só vou falar que você, caro leitor de Lounge, está devidamente representado em ‘Histórias de amor duram apenas 90 minutos’, seja em um ou outro personagem, ou no conjunto da obra.

Então tire a bunda da frente do computador e vá ao cinema. Quem sabe isso te inspire a parir aquele livro, a convidar aquela gatinha pra sair, a reacender a chama de uma paixão que está meio mais ou menos, a terminar um filme sobre relacionamentos, a arrumar um emprego pra não precisar pedir grana pros pais, a animar uma história em quadrinhos, a sair pra dançar um sambinha, a pleitear uma bolsa na Europa, a parar de andar com junkies freaks porque é a maior badvibe… porque histórias de amor podem até durar 90 minutos (se bem que a minha tem uns seis meses e parece ser só o começo, viu?), mas um bom filme sempre acende algo na gente. É o caso. Não acredita?Vai lá ver.

* * *

Se nada disso te convenceu, vá ver o pitéuzinho da Luz Cipriota, mais encantadora do que a Zooey Deschanel – acredite.

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A @liaamancio tem dado uma super força com tanto carinho! Valeu, Liaa!


Comédia!? Também. Mas muito mais que isso!

16/03/2010

Quem já conferiu Histórias de amor duram apenas 90 minutos nas telonas percebeu a sutileza de seu roteiro. Assim como se pode notar que a direção de Paulo Halm, que ocupou pela primeira vez na cadeira de diretor, não ficou nada aquém de seus já respeitados roteiros. A intimidade de Paulo com as palavras transborda da tela. O filme é inteligente sem ser pedante, sério sem ser chato, leve sem ser superficial, aliás de superficial “Histórias de amor…” não tem nada. Quem não viu ainda tem que ver.

São vários os momentos ao longo da trama em que o espectador se vê imerso em reflexões densas e na cena seguinte é tomado por um humor refinadíssimo. É assim que, dentro dos meandros de autocrítica pelos quais muitos passam diante da telona, acontece aquele velho conhecido momento – nem por isso menos importante – em que rimos de nós mesmos, nos identificando nesta ou naquela situação, nas idiossincrasias das personagens. A determinação efêmera de Zeca é um desses momentos, em especial a dissolvente fúria que a personagem experimenta subindo as escadas de seu prédio, a caminho de uma conversa determinante, ou talvez nem tão determinante assim com sua esposa.

Outras personagens também deixam o espectador deliciado, como é o caso da personagem de Daniel Dantas, que dispensa apresentações, cuja atuação brilhante arrancou gargalhadas e aplausos do público. Algumas críticas já massagearam, com razão, o ego do ator, mas nós não nos cansamos de elogiar: grande Daniel! Arrasou!

Voltando àquele papo da geração dois mil de que trata o filme, não tem como não sair do cinema cativado pela personagem de Lúcia Bronstein, a Bagaceira. Se Zeca é do tipo que não faz nada por medo do fracasso, ela é a representação genuína dos que fracassaram, dos que estão navegando à deriva pelo mundo, mas não se entregaram ainda às autocríticas depreciativas, como aquelas de Zeca. Bagaceira ri, um riso diferente daquele iluminado de Carol (Luz Cipriota), mas contudo um riso. Bem, já disseram que rir de tudo é desespero… mas enfim, voltando: Toda essa decadência – uma coisa meio anos noventa, meio pós-tudo, século XXI – é mostrada com muito humor pela atriz. O jeito despojado de quem já não está procurando nada mesmo, de quem encontra conforto para as suas angústias no fundo do copo, a segurança de quem sabe como se livrar delas, ainda que não possa resolvê-las. A Bagaceira é uma personagem simples e genial, uma legítima porra-louca, uma espécie de Rê Bordosa dos novos tempos. Em uma palavra: irreverente! Diversas pessoas já super recomendaram no Twitter: não deixem de conferir o funk do Baudelaire!

E por falar em Bagaceira, a Lúcia Bronstein bem mandou – via Facebook – um recadinho para os leitores do blog:

Foi uma oportunidade incrível fazer parte dessa equipe tão talentosa e competente. Poder estar perto de atores que admiro e contribuir para contar essa história. Espero que muitos possam testemunhar, se divertir e se emocionar com os quiproquós de Zeca, personagem que o Caio Blat representa com tanta riqueza. O filme é um olhar sensível e muito bem humorado de uma geraçao. Recomendo demais!! (Lúcia Bronstein)

:)

Paulo “Kaufman” Halm nos delicía em apenas 90 minutos

15/03/2010

Mais uma boa crítica! :)  Aproveitamos para recomendar o blog deles, muito simpático. Visitem: Doidos por cinema

>>> postado originalmente no Doidos por cinema, por Carlos Eduardo Bacellar, em 13 de março de 2010.

Paulo Halm é o Charlie Kaufman do Spike Jonze de realizadores do quilate de José Joffily, Sandra Werneck, Sérgio Rezende e Hugo Carvana. Assim como Kaufman, que não conseguiu manter seu talento circunscrito ao universo do texto, e se aventurou na direção com o complexo e reflexivo “Sinédoque, Nova Iorque” (2008), Halm sentou na cadeira de diretor e transpôs para as telas seu roteiro do longa “Histórias de amor duram apenas 90 minutos” – ele já tinha experiência na direção de curtas e médias-metragens.

Assim como Kaufman, Halm brinca com a metalinguagem para estruturar seu excelente enredo. A narrativa é embalada pelo triângulo amoroso entre Zeca (Caio Blat, irrepreensível), um aspirante a escritor com trinta anos na cara que não consegue sair da página 50 de seu primeiro romance, sua mulher, a determinada e ambiciosa professora Júlia (a belíssima Maria Ribeiro), e a estonteante gringa Carol (a argentina Luz Cipriota, que me fez entender a escolha de Matt Damon), que com seu jeito descolado e provocador incendeia desejos.

Acometido pelo ciúme fruto da falta do que fazer, Zeca dá vazão às fantasias mais loucas de sua imaginação e enxerga um caso entre Júlia e Carol, passando a viver entre realidade e loucura. A beleza e o charme da suposta amante perturbam o rapaz, que acaba se apaixonando por ela (ou melhor, achando que se apaixona).

O turbilhão emocional que esgarça Zeca ganha forças na sua relação com seu pai Humberto (Daniel Dantas). Ele mesmo uma promessa de escritor que nunca se realizou, utiliza o filho como repositório de sua insatisfação. Humberto, como muitos pais, via em seu filho uma caderneta de poupança que, infelizmente, foi confiscada por circunstâncias da vida.

O filme – no qual Halm trança com habilidade e sutileza drama e comédia − é o reflexo de uma geração que vive num limbo entre a realização e a depressão. Geração caracterizada pelo fato de ser incompleta, de não concretizar nada, de deixar tudo para depois – o tempo passa e os projetos são abandonados ao longo do caminho. Quando consegue alguma estabilidade (estagnação, para ser mais preciso) em sua vida pessoal e (pseudo) profissional, Zeca se sabota, com medo do diferente – ele não quer descobrir aonde seu talento e suas emoções podem levá-lo.

Ao ser comparado com o escritor Rubem Fonseca (o maior contista brasileiro vivo), Zeca se irrita e repudia tal comentário, mas em casa tem uma estante cheia de livros do autor de “Feliz Ano Novo”, a quem venera e inveja nas sombras. Balizado for um deturpado senso de moral, ele não acha correto se relacionar com duas mulheres ao mesmo tempo – somente porque lhe convém: a amante lhe dá mais tesão que sua própria esposa.

Em determinado momento, nosso protagonista reflete sobre os porquês de seu bloqueio criativo. Ao imaginar personagens, toda ficção criada em torno delas acaba voltando para o ponto de origem: o próprio escritor. Como sua vida não anda, seu texto segue o mesmo caminho e esbarra no excesso de páginas e falta de tinta da frustração.

Com diálogos inteligentes, Halm, mostrando-se seguro no ofício, acaricia gentilmente a metalinguagem, para depois pegar no dente a calcinha da função e virá-la do avesso. Zeca questiona as escolhas da personagem de seu romance inacabado, que troca o terreno sólido de uma profissão liberal para se entregar às incertezas da arte (como o Rubem Fonseca, não é verdade?). Cuspindo na refeição que ele mesmo preparou, desavisadamente coloca em xeque sua própria existência. Por meio da literatura, nosso protagonista vomita em suas escolhas pessoais, em sua vida medíocre – e transpira toda sua contradição ao andar de roupa social nas areias de Ipanema e se entregar a práticas sexuais impensáveis para alguém que se imaginava heterossexual convicto.

A semelhança entre Kaufman e Halm não para nos filhos únicos na seara de longas (por enquanto) paridos pelos dois no comando das câmeras. As lentes de ambos perfuram a couraça de suas criações e atingem o cerne de cada uma, que é alimentado pela angústia. Assombrado pelo medo da rejeição e do fracasso, Zeca dá as mãos para a dor da personagem de Nicolas Cage (o próprio Kaufman) em “Adaptação” (2002). Nos dois filmes, situações extremas levam os protagonistas a tentar escalar em direção à saída do poço. Se eles vão conseguir sair é outra história que não pode ser resolvida em noventa minutos. Apesar disso, cada segundo capturado pelas lentes de Halm é imperdível!

Carlos Eduardo Bacellar

Vamos ao 6º Festival de Verão do RS de Cinema Internacional

15/03/2010

Cinéfilos e cinéfilas de plantão, o filme ‘Histórias de amor duram apenas 90 minutos’ vai participar do 6º Festival de Verão do RS de Cinema Internacional.

Gaúchos, preparem a pipoca!!! Vão rolar duas sessões, tomem nota:

Porto Alegre: Unibanco Arteplex, sala 8 – amanhã 16/03 às 19:30

Porto Alegre: GNC Moinhos, sala 3 – 17/03 às 21:30

Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos
Comédia, Brasil, 2010, 90’
Direção: Paulo Halm
Elenco: Caio Blat, Maria Ribeiro, Luz Cipriota, Daniel Dantas e Lúcia Bronstein
Roteiro: Paulo Halm
Fotografia: Nonato Estrela
Montagem: Luís Guimarães de Castro
Distribuição: Downtown Filmes

Zeca é um escritor de 30 anos que, por não conseguir escrever, está no mais completo ócio. Ele é casado com Júlia, mas vive uma crise no relacionamento pelo fato de não querer nada, enquanto ela sabe bem o que deseja da vida. Essa situação o deixa infeliz, mas mesmo assim conformado com a vida que leva. A situação muda quando ele passa a acreditar que sua esposa está traindo-o com outra mulher.

Sobre o festival:

Pelo sexto ano consecutivo filmes de todo o mundo se reunirão em Porto Alegre e em mais 8 cidades do interior do RS no 6º Festival de Verão do RS de Cinema Internacional. O maior festival de cinema internacional realizado no Rio Grande do Sul abre a edição 2010 com a obra inovadora dos diretores Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus) e Karin Aïnouz (Céu de Suely), Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo. A sessão de abertura, como em todos os anos anteriores, será realizada ao ar livre e pelo segundo ano consecutivo no vão central da Casa de Cultura Mário Quintana.
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De 11 a 18 de março, o festival vai trazer para as telas da Capital e do interior do estado títulos inéditos do cinema mundial. Nomes de consagrados diretores – como Woody Allen, com seu inédito no Brasil Tudo Pode Dar Certo – se misturam a estreantes – como Tiaraju Aronovich, de Sem Fio – e conferem uma grande diversidade de obras, o que já é uma das marcas do festival.
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O evento ainda aproxima os amantes da sétima arte de profissionais de renome. As atividades paralelas, como aulas magnas e workshops, todos com entrada gratuita, vão integrar o público com diretores, atores e roteiristas, proporcionando debates entre o público e aqueles que fazem cinema.
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O 6º Festival de Verão do RS de Cinema Internacional tem patrocínio do Banrisul, Corsan e Fundo Nacional da Cultura e é promovido pela Panda Filmes.
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Informações: Casa de Cultura Mário Quintana, Sala Paulo Amorim, Rua dos Andradas, 736 -Porto Alegre.

Quatro perguntas para: Paulo Halm

13/03/2010

Gente, tem muitos posts sobre o filme rolando aí na web. Estamos aproveitando para reproduzir aqui alguns deles, como entrevistas exclusivas, vídeos, críticas. Quem quiser pode mandar a sua resenha pra gente publicar! O e-mail é: historiasdeamorfilme@gmail.com (destacando: título da resenha e identificação do autor). Aguardamos seus textos!

Por hora é só, aproveitem a entrevista do Rafa lá no Primo Cruzado, está muito boa!

>>> postado originalmente no Primo Cruzado, por Rafa o Foca, em 12 de março de 2010.

Antes de publicar essa entrevista, devo fazer uma confissão: não vi o filme “Histórias de amor duram apenas 90 minutos”, primeiro longa como diretor de nosso entrevistado. O que, inclusive, me rendeu um gentil puxão de orelha do próprio. Eu havia até prometido não colocar no ar até assistir, mas pensei: quero divulgar, então vou cometer essa pequena irresponsabilidade e, depois, escrevo com mais calma sobre a história em si.

Até porque o papo, a pretexto de falar do longa, rendeu muito mais. Falamos sobre política, cinema, claro, amor e…sexo.

O título de seu primeiro longa como diretor é curioso. Por que histórias de amor duram apenas 90 minutos?

O título é uma brincadeira, obviamente, com a perenidade ou não do amor, da sua possibilidade restrita à fantasia e com o tamanho de um filme ideal, do ponto de vista comercial. Todo distribuidor e exibidor sonha com filmes com esta duração, que lhes permite cinco sessões diárias e tempo suficiente pra exibir trailers, comerciais, etc, e limpar a sala entre uma sessão e outra. As comédias, românticas ou não, via de regra, sempre duram uma hora e meia ou menos (basta ver os filmes do Woody Allen, por exemplo).

É próprio da comédia ser rápida, leve. Por outro lado, tem o lado metalinguístico: meu filme trata de um jovem escritor que está escrevendo um livro e o filme dialoga com esse processo de criação. E o conflito básico do nosso protagonista é se ater mais às questiúnculas sentimentais e afetivas de sua vida, preso a uma alienação amorosa, que o impede de resolver seus problemas mais básicos e urgentes.

Nosso herói, o Zeca (interpretado por Caio Blat), é um romântico incurável, quase um poeta do século XIX deslocado de seu tempo. Incapaz de tomar as rédeas de seu próprio destino, ele se deixa envolver por fantasias e devaneios. Em suma: vive no mundo da lua, num mundo ideal como os das comédias românticas, onde sempre, invariavelmente, o final é feliz.

Talvez o maior gancho jornalístico das reportagens sobre o filme seja o fato de você ser um roteirista consagrado. Isso é apenas um gancho ou, de fato, influencia no trabalho?

Bem, a maior parte das pessoas me conhece pelos meus trabalhos como roteirista, mas desde sempre persigo a direção. Sou formado em cinema pela UFF e minha perspectiva sempre foi a direção. Eu virei roteirista por uma necessidade de ter uma atividade profissional, dentro do cinema.

Como eu sempre escrevi e, segundo dizem, bem, me pareceu que o roteiro seria o ramo da atividade em que eu poderia atuar e me remunerar, paralelamente à direção. Tanto que eu fiz um monte de curtas, a maioria deles premiados, alguns documentários, trabalhei como diretor em televisão por um tempo.

Se eu levei tempo para dirigir meu primeiro longa deve-se a dificuldades de levantar as condições materiais e financeiras que me permitissem fazer um longa. E também pelo fato de, como roteirista, viver ocupado com as histórias dos outros e não ter tempo nem cabeça para me dedicar aos meus projetos pessoais. No mais, eu não vou deixar de escrever roteiros profissionalmente por causa do longa.

Aliás, depois que fiz o “Histórias…”, eu trabalhei em diversos projetos, estou escrevendo o novo filme da Sandra Werneck, o José Joffily está interessado num outro roteiro que escrevi, trabalhei com a Rosane Svartman no seu “Desenrola” e no novo filme da Tizuka Yamazaki, “Aparecida”, que ela está rodando.

Da mesma forma, não vou deixar de dirigir. Aliás, já estou com outro projeto de longa engatilhado, em fase de captação e que espero estar filmando até o final de 2010. Chama-se “Amanhã tudo volta ao normal” e conta as aventuras de três garotas ao longo do ultimo dia de carnaval carioca. Acredito ser totalmente possível exercer as duas funções, até porque gosto muito de escrever e quero continuar dirigindo.

De uns tempos para cá, o cinema brasileiro ficou com um pouco de vergonha do sexo, que, dizem, aparece sem vulgaridade, mas com coragem no longa. Mas seu filme é uma raridade nos dias de hoje. Por que essa relação do cinema brasileiro com o sexo é tão mal resolvida?

Acho que antes de uma postura moral, é um problema econômico. Como os filmes precisam de recursos para ser realizados, e esses recursos têm que ser obtidos com as grandes empresas, bancos, estatais, etc, há que submeter os filmes ao crivo dos diretores de marketing, que no final das contas são os que decidem em que projeto investir.

E tudo que esses caras querem é que a marca das empresas deles fiquem bem na fita. Então, qualquer coisa que possa vir a causar polêmica, desagrado, dúvidas, que de alguma forma possam macular a empresa que eles representam deve ser evitado e eliminado. Então, violência, sexo, drogas, conflitos, isso deve ser evitado.

Por outro lado, há uma subserviencia a um determinado segmento do publico, particularmente a um setor da classe média mais conservadora, que sempre rejeitou o cinema brasileiro. Para esse segmento, o cinema brasileiro se confundia com a pornochanchada dos anos 70, filmes mais populares, com boas doses de nudez e sacanagem.

Essa subserviência a essa platéia mais conservadora fez com que rejeitássemos aquilo que nosso cinema tinha de mais resolvido, a forma de expor a nudez, a sensualidade, a beleza de nossas atrizes ( e também de nossos atores), que são características evidentes da nossa cultura, do nosso povo. O brasileiro é muito mais bem resolvido do que os povos do hemisfério norte, no tocante à nossa exposição fisica, à nossa sensualidade, ao erotismo: basta irmos à praia para comprovar isso, não é preciso nenhuma tese acadêmica.

Esse retrocesso nos fez recuar na contramão do próprio cinema internacional. Fomos encaretando enquanto os cinemas americano e europeu foram se libertando das ridiculas cenas de sexo debaixo do lençol… Basta lembrar da Nicole Kidman com a bundinha branca arrebitada em “De olhos bem fechados” ou da ex-namoradinha da América Meg Ryan nua e fazendo blow-job em Mark Ruffalo no “Em carne viva”.

Isso sem falar na exuberância sensual e erótica do cinema espanhol, Almodovar, Bigas Luna, Julio Meden. Penso que para agradar aos gerentes de marketing e a esse segmento de classe média mais conservadora, que em parte, é a maior fatia do público de cinema hoje em dia, fomos nos auto-censurando, nos encaretando, e pior, assumimos uma visão reacionária sobre a nudez e o sexo na arte.

A ponto de até atores inteligentes e sensíveis virem a publico fazer discursos carolas sobre uma possível exploração do corpo dos atores, pregando uma cruzada contra a nudez. Ora, o nu faz parte da história da arte desde tempos remotos, não há nada de pornográfico no “David” de Michelangelo, na “Venus”, de Boticelli, na “Olimpia” e no “Piquenique na relva”, do Manet, nos nus de Degas, de Renoir, ou mesmo na “Origem do Mundo”, de Coubert, aliás, citada no filme. Somente uma distorção pervertida pode achar pornográfica ou obscena a nudez. O que, aliás, é a raiz do moralismo, né? Mas penso que isso está sendo superado pela própria platéia.

Você é um cara muito ligado em política, mas seu primeiro longa é de amor, outra raridade numa cinematografia em que os filmes mais marcantes são, salvo engano, sociais e políticos. O tema veio de uma boa história apenas ou você, propositalmente, quis mostrar que o cinema brasileiro pode, sim, fazer bons filmes de amor?

Talvez pelo fato de ser uma pessoa que atue politicamente, desde sempre, não tenho necessidade de fazer filmes que falem de algo que faço cotidianamente, enquanto cidadão. Há uma certa confusão entre atuação política e atividade artistica. Sou um cara de esquerda, e que tem uma carreira marcada por atuação política e associativa na área cinematográfica.

Fui militante e presidente da ABD, associação que congrega os curta-metragistas, uma das mais atuantes e combativas entidades na defesa do cinema brasileiro e também participei da AC ( Autores de Cinema, que organiza os roteiristas de cinema no Brasil ).

Não tenho nada contra quem faz filmes políticos e sociais. Eu mesmo já fiz: tem um filme meu, um média metragem chamado PSW, uma crônica subversiva, que é um filme sobre um desaparecido político durante a ditadura, que fala de ( e mostra ) tortura, de mortes cometidas durante os “anos de chumbo”.

Fiz na década de 80, aliás,, quando ninguém estava muito interessado em falar nisso aqui no Brasil. Mas tenho outros interesses artísticos. Gosto e muito de comédia, gosto de temas intimistas e, ao mesmo tempo, universais, como o amor, o desejo, o sexo, e principalmente, o assunto que mais me interessa: o rito de passagem, a dolorosa, porém necessária, transformação do jovem em adulto, com todas as suas perdas, riscos, frustrações, etc.

Aliás, esse é o verdadeiro tema de “Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos”. A dificuldade de amadurecer. Usar uma trama amorosa para falar disso é apenas uma estratégia para atrair o espectador. E falar desse tema de forma bem-humorada, quase cômica, inclusive ( eu discordo que o “Histórias…” seja uma comédia. É um filme engraçado, mas tem tanto de drama quanto de humor ) apenas reflete minha crença de que é possível ser sensível e reflexivo sem ser chato. Ao contrario, dá pra falar desses assuntos com humor e de forma descontraída.

Valeu, Rafa! ;-)

Bom fim de semana a todos. Quem quiser pegar um cineminha pode conferir aqui o circuito de Histórias de amor dura apenas 90 minutos.

Sorteados desta semana

12/03/2010

1º, 2º e 3º colocados levaram 01 convite + uma ecobag /  4º e 5º colocados: 01 convite

1º @renataanobrega
2º @MauricioDyas
3º @dvalsechi
4º @AnaBotafogo
5º @raiane_
Entramos em contato por DM para solicitar nome completo e endereço.
Parabéns aos sorteados!
*convite de sustentação, válido de segunda à quinta-feira, enquanto o filme estiver em cartaz! Confiram o circuito;-)
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