Quantas vezes você já deixou de ver um filme por uma má impressão que ouviu de alguém? Ou por completo desconhecimento do tema, enredo, elenco? Tantas vezes a sinopse peca, o cartaz não convence e se você não conhece os atores, bau-bau.
É aquele velho papo: quando tem um filminho desconhecido, com ares pretensiosos de estar em exibição no mesmo cinema que outras super-produções hollywoodyanas, há quem acabe cedendo ao fascínio das caras conhecidas e às histórias mais ou menos populares, de tanto que passam o trailer nos canais da TV à cabo, e termine comprando o bilhete para aquele filme cuja história é já parcialmente revelada.
Mas ainda bem que nem todo mundo escolhe os filmes que vai assistir assim e nem os filmes são assim,ou de um tipo, ou de outro. Viva a diversidade!
Espectadores têm perfis bem variados: tem aqueles cinéfilos super viciados, quase obsessivos que antes de sair de casa já sabem tudo sobre o filme, verdadeiros peritos! Tem gente que prefere não ter nenhum julgamento, nem ler nenhuma opinião antes para avaliar depois; tem aqueles que vão procurar as notícias depois; aqueles suja experiência se limita à sala do cinema e ponto, nada de procurar saber mais nem antes e muito menos depois; tem aqueles que curtem tanto, se apaixonam, viram fans e de um dia pro outro começam a encher o saco de todos os amigos para irem assistir o tal filme, descobrem todas as curiosidades das filmagens e quase contam o final. Há quem veja uma, duas, três vezes o mesmo filme no cinema e depois ainda compra o DVD. Há quem espere sair o DVD (sem falar nos downloadeiros de plantão!). Quem assiste acompanhando, quem assiste sozinho.
Os tipos de espectadores são muitos, a gente poderia passar o resto do dia definindo perfis, mas não interessa muito. Todos eles acabam tendo uma coisa em comum: ou vão para o cinema com expectativas ou vão sem expectativa alguma. E falando em expectativas, encontramos um relato muito interessante na blogsfera, confiram:
Escrito por João Baldi Jr. no post “A arte perdida das poucas expectativas (ou minha resenha do show do Franz Ferdinand e do filme do Paulo Halm)“, em seu blog Just Wrapped up in books.
Uma das coisas que me pai me ensinou quando criança e que eu guardei pra vida inteira é que não devemos criar grandes expectativas, porque quando maior a expectativa maior a possível frustração. Eu sei, eu sei, é uma postura de vida meio defensiva demais, mas com o tempo eu fui aprendendo que é o tipo de coisa que acaba fazendo sentido, já que quase sempre nos momentos em que eu saio de casa pra algum evento, programa ou qualquer coisa do tipo com grandes expectativas (e talvez até algumas citações de Charles Dickens) eu volto profundamente frustrado (ainda mais porque as minhas grandes expectativas quase sempre são muito, mas muito grandes e envolvem Ellen Page, anéis energéticos do Lanterna Verdes, shows particulares do Wilco na beira de uma piscina e cachoeiras de iogurte de côco) e quando eu saio com expectativas baixas (baixas mesmo, do tipo “não morrer hoje”) eu acabo me divertindo muito mais. E foi isso que aconteceu na última terça com o filme “Histórias de amor duram apenas 90 minutos” e nesse sábado com o show do Franz Ferdinand.
Sobre o filme eu posso dizer que as minhas expectativas eram as menores possíveis. As únicas duas fontes de informação que eu tinha sobre ele eram o pôster que eu vi no site do cinema e as opiniões absolutamente divergentes que eu recebi por parte de dois amigos. Se uma amiga me disse que o filme era uma “pouca vergonha” com cenas incessantes de sexo (o que realmente me fazia estranhar que ele não tenha sido lançado sob o selo “Brasileirinhas apresenta”) outro amigo me disse que o filme era inteligente e interessante, o que me fez sair de casa esperando, sei lá, o filme pornô softcore mais bem escrito da história recente da humanidade. E chegando lá o que eu vi foi um bocado diferente.
A história do jovem escritor de quase trinta anos que não consegue terminar o primeiro livro e se vê envolvido num triângulo amoroso ao pensar que está sendo traído pela mulher (santa sinopse, Batman!) é uma daquelas histórias de geração que, se não são geniais, ao menos funcionam bem como narrativa. A trama fala bem sobre essa “crise de quase meia idade”, mistura Rubem Fonseca e Baudelaire e tem um bom roteiro, ainda que dê aquela tropeçada clássica na pretensão em alguns momentos. O elenco principal, com Caio Blat, Maria Ribeiro e Sol Cipriota se sai muito bem, com destaque para Daniel Dantas, no papel do pai do protagonista, que não só rouba a cena como ainda solta uma das frases que eu realmente terei que emoldurar e colocar numa parede do meu quarto, a pra mim já clássica “senta a bunda na frente do computador e termina essa porra desse livro”. Ou seja, saí de casa esperando pornô softcore e ganhei um bom filme nacional com um roteiro interessante. Ponto pra mim. (…)
Bacana, né? E você, como vai para o cinema? Já parou para pensar na sua experiência com a sétima arte? Como VOCÊ vive um filme?
Se pussui um blog e/ou escreveu algo a respeito, conte pra gente!
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Olhos de ressaca (e ressentimento)
Segunda resenha que nos lembra o clássico de Machado de Assis, Dom Casmurro. Talvez para ler ao som de “Lígia“
>>>postado originalmente no Tela Brasil, por Aline Khoury, em 23 de março de 2009.
Logo nas primeiras falas de Histórias de amor duram apenas 90 minutos (Paulo Halm) o espectador prevê um personagem meio clichê. Como todo escritor em crise que se preza, Zeca (Caio Blat) é fumante, pálido, magrelo e vítima de uma arrebatadora paralisia criativa sem prazo para acabar. Seu ar de vagabundo chutador de latinhas pode ser resumido, como ele mesmo admite, pelo rabugento de Tom Jobim em “Lígia”: “Não gosto de samba. Não vou à Ipanema. Não gosto de chuva nem gosto de sol…”.
Para fomentar sua tendência suicida, parece que não apenas Zeca não gosta de nada, mas que nada ao redor sequer nota sua presença. Mesmo casado com a intelectual Julia (Maria Ribeiro), um vazio irreparável insiste em pairar por sua cabeça como uma nuvem cinzenta. Esse cotidiano sem graça e inerte é surpreendido pela charmosíssima Carol (a argentina Luz Cipriota), que passa a manter um caso com o aspirante a escritor.
Carol é aluna de Julia e a intimidade entre as duas se estreita a cada dia. As belas passam a ser tão próximas e confidentes que abrem margem a duplas interpretações sobre sua misteriosa relação. “Duplas”, porém, segundo as palavras de Zeca – e está justamente aí o ponto alto da trama. Ao acompanhar o filme apenas pela narração do rapaz, o espectador está sujeito somente ao seu olhar, e portanto às suas interpretações. Mas uma combinação explosiva de emoções ataca Zeca por todos os lados: os jogos de sedução da amante, o receio de perder a tão idealizada Julia, um ciúme doentio que sente por ambas e ainda a velha “dor de corno” (nesse caso duplamente dolorosa). Até que ponto, então, é possível confiar em um narrador assim tão perturbado?
Permeiam o filme cenas de carícias ingênuas e outras lascivas entre as muy amigas. Toda esta paixão pode, porém, não ter passado de flashes da imaginação do escritor. Somos reféns da visão de seu coração partido – e por isso mesmo desconfiado – como somos do juízo irreversível de Bentinho ao menor gesto de Capitu (que nessa história preferiu uma musa loira ao antiquado Escobar).
“Histórias de amor…” desencadeando reflexões
Em uma das várias entrevistas que deu nos últimos dias sobre o seu primeiro trabalho como diretor, o roteirista Paulo Halm falou que uma de suas expectativas era de que Histórias de amor duram apenas 90 minutos gerasse identificação. O filme está em cartaz desde 12 de março e parece que sua expectativa, neste sentido, não foi nada frustrada. Recebemos diversas mensagens no Twitter de pessoas que de uma maneira ou de outra, se enxergaram em situações parecidas com a de Zeca (Caio Blat), espécie de anti-heroi da nossa história, o exemplo a não ser seguido.
Algumas pessoas que assistiram ao filme publicaram suas impressões em seus blogs, gostaríamos de compartilhar agora aquela de Vitor Stefano, do blog Sessões.
Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos
Nome Original: Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos
Diretor: Paulo Halm (para reler a entrevista com o diretor, clique aqui)
Ano: 2010
País: Brasil/Argentina
Elenco: Caio Blat, Maria Ribeiro, Luz Cipriota e Daniel Dantas
Prêmio: Melhor Filme, pelo Juri Popular do Festival de Santa Maria da Feira (Portugal), Melhor Ator (Caio Blat) e Melhor Edição de Som no Festival de Goiania)
Alguns sabem que passo por uma crise produtiva. Não consigo escrever mais meus textos como gostava. Não pinta inspiração, falta criatividade. Não, eu não me chamo Zeca. Não, eu não tenho quase 30 anos. E não, não estou na quinquagésima página de um livro e nem é a minha pretenção. Hoje não, mas talvez não seja má idéia para o futuro. Quem sabe quando eu tiver quase 30. E quem sabe esse texto não seja um divisor de águas de minha crise. Pois não há pintor sem quadros, não há cineasta sem filme e não há escritor sem texto.
O longo nome do filme nos dá uma sensação de estar pisando em campo amigo, de saber o que está para acontecer e conseguir enxergar que situações da ficção são totalmente táteis e reais. Não há como definir só um gênero para o ‘Histórias…’. É uma comédia, com fundo dramático, pitadas de erotismo, embebido em uma curta animação e um aroma de história real com intrigas familiares e dilemas do dia a dia. Paulo Halm, famoso por ótimos roteiros, consegue atingir um feito que poucos conseguiram. Um debut em grande estilo na direção com um filme agradável, inteligente, sufocante e verdadeiro. Um filme de grande diversisade e que agradará a todos.
Caio Blat na pele de Zeca é o narrador. Zeca é um adulto com espirito de jovem irresponsável, que como diz seu pai, só pensa em buceta. Mas acho que poderia melhorar essa frase, colocando o cigarro dentre as coisas que ele só pensa. O cigarro tem um papel importante no filme, ele nos leva para dentro da película e nos remete a um estado de claustrofobia, o qual Zeca está vivendo. Dúvidas sobre a vida, sobre trabalho, sobre o pai e sobre quem foi um dia. Talvez o que mais Zeca queira, além de fingir que tenta se matar, é saber quem ele será amanhã.
Não bastasse os seus problemas, há outro problema. Mulher. Seu pai logo lhe alerta: “Mulher e problema é praticamente um pleonasmo”. Todas as confusões que Julia, sua esposa e Carol, a melhor amiga lhe causam não aliviam em nada a crise de Zeca. Um suposto triangulo amoroso, que só exist na mente fértil do homem da(s) relação(ões). Zeca em momentos encarna Woody Allen, um homem torturado em crises amorosas que parecem interminaveis. Há DRs que parecem brigas que você já teve um dia com namorada, ficante, amante ou mulher. São tantas reviravoltas, loucuras e até bizarrices, que Zeca talvez tenha finalmente crescido, tentado levar a vida a sério, superando a sua crise dos 30 e ouvido seu pai dizer: “Senta a bunda na frente do computador e termina essa porra desse livro”.
Halm conseguiu tirar de Blat uma atuação complexa e muito competente, digna de um protagonista. Foi muito bem acessorado por sua mulher (da vida real) Maria Ribeiro e pela bela Luz. Daniel Dantas dá um show de performance como o pai frustrado. O filme é ótimo, desde a trilha sonora (que conta com a linda interpretação de Caetano Veloso da música Nature Boy), não percam. A única tristeza, não foi causada pelo filme, mas sim por um cinema de 125 lugares e apenas 13 ocupados. Uma obra de ótima qualidade, não pode não ser visto. Não deixem de prestigiar o cinema nacional, pois somos capazes de ótimas produções, como essa de Paulo Halm! Obrigado e parabéns diretor.
Acho que minha crise ainda não foi superada. Mais um texto sem grande impacto, sem graça e insonso. Mas o filme merece ser comentado e divulgado! Embebede-se com o curta animado que conta a história de 50 páginas de Zeca. E que o romance que ele escrever dure mais que 50 páginas, pois as histórias de amor, duram apenas 90 minutos.
Amanhã no Cine Mitsubishi, programa da rádio da Mitsubishi FM (92,5 MHz), a apresentadora Maria Fernanda Luvizotto vai conversar com Caio Blat sobre o filme “Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos“, em cartaz em São Paulo, Rio deJaneiro, Salvador ( em breve: Curitiba e Porto Alegre).
O “Cine Mitsubishi” vai ao ar todo sábado, a partir das 18h, na Mitsubishi 92,5 FM. Sintonizem!
Só dá ele
>>> postado originalmente em Portal Ibope de Notícias, em 19 de março de 2010.
OPINIÃO:
Afastado da telinha desde Caminho das Índias, da Globo, onde interpretou o indiano Rhavi, se engana quem pensa que Caio Blat está descansando.
O ator, que já lançou o filme Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos, no início deste mês em São Paulo, se prepara para o lançamento de mais três produções. Em conversa para O Fuxico, o ator conta um pouco dos projetos para este ano.
“Apesar de não estar na tevê, tenho feito bastante coisa. No mês que vem já estamos nos preparando para o lançamento do filme Melhores Coisas do Mundodirigido por Laís Bodanzky, que fala sobre a relação dos jovens e tem como público alvo os adolescentes. Em agosto, Bróder de Jeferson De entra em cartaz. E em setembro também estreio nos cinemas com O Bem Amado de Guel Arraes”.
Sobre um possível trabalho na tevê, Caio ainda não tem nenhuma proposta, mas acha ótimo esse tempo longe das telinhas.
“Fiz uma novela no ano passado, gosto de descansar da tevê um pouco. Antes, você sentia saudade de um ator atuando em novelas e torcia para ele voltar. Hoje é normal ver o mesmo ator emendando uma novela na outra, mas eu acho péssimo para a carreira do próprio artista. Tem que dar um tempo”.
Ainda neste ano, Caio deve estrear uma peça ao lado de Marco Nanini. Apesar de ainda não ter uma data definida, ele garante que o espetáculo vai ficar em cartaz no Rio de Janeiro e em São Paulo.
“Vamos fazer uma peça no segundo semestre. É um texto americano que conta a história de uma família meio maluca. Eu vou fazer o filho dessa família, que vai ser apaixonado por uma moça, mas não consegue compreender muito seus parentes, eles são meio neuróticos. A peça chama Os Piterodátilos, ainda não começamos a ensaiar nem nada, mas sei que devemos passar pelo Rio e por São Paulo com o espetáculo.”


